domingo, 21 de julho de 2013

A Sociedade Egípcia

O antigo Egito era composto por classes de pessoas que iam desde o soberano Faraó até escravos capturados em guerra. Vivia-se em uma Monarquia Teocrática e se comparada com a maioria das culturas da época, a sociedade egípcia era mais liberal. Um homem que nascia em uma camada inferior, apesar de raro, poderia alcançar grandes postos em sua vida.


“[...]Os relevos e as pinturas das tumbas proporcionam grande riqueza de materiais; embora apenas os membros da classe alta da sociedade fossem enterrados em tumbas amplas e decoradas, as cenas subsidiárias não deixam de proporcionar vislumbres da vida do povo simples. Vislumbres que são completados com modelos e objetos funerários de uso cotidiano, que freqüentemente fazem parte do equipamento fúnebre; achados como esses são menos frequentes nas escavações de povoados. Os textos literários e administrativos de papiros e óstracos são de um valor inestimável, pois proporcionam detalhes que não poderiam ser obtidos de outras fontes.” (BAINES; MALIK, 2008, p. 190)



Vida cotidiana – Tumba do Escriba Menna (TT69) da 18ª Dinastia – Acervo Pessoal.

A Pirâmide social visa ilustrar as camadas da sociedade egípcia da base até o topo. Abaixo segue uma classificação que resume a maioria das publicações existentes.

A Pirâmide Social


FARAÓS:

O Faraó tinha poder absoluto e era considerado um Deus vivo na Terra. Ele era dono de todo o Egito, chefe da administração, dos cultos religiosos e também comandava o exército. Tinha como principal função/responsabilidade manter a ordem e a justiça na sociedade, tendo como punição, caso não a mantivesse, a morte (desaparecimento) eterna.

NOBREZA:

Nessa classe enquadrava-se os Viziers, que eram pessoas ligadas diretamente ao Faraó, os Sacerdotes, Oficiais do exército e a sua família. Nessa classe a Rainha era escolhida e apesar do Faraó ter muitas esposas, apenas ela tinha o poder real. O casamento era feito entre os parentes, afim de manter o sangue “azul” da Dinastia.

ESCRIBAS:

Considerada uma classe muito importante, os Escribas eram os únicos que poderiam seguir carreira como administradores ou ingressar no serviço público. A escrita servia para o registro de tudo que acontecia no cotidiano egípcio e através dela é que conhecemos um pouco da História dos habitantes das margens do Nilo.

OS SOLDADOS:

Essa classe era pequena e sua principal função foi garantir a segurança do território, fazendo quando preciso, escolta nas expedições aos países vizinhos. Posteriormente, devido as invasões e a necessidade em ter uma defesa mais sólida, o exército e a tecnologia em combate foram aumentando.

OS ARTESÃOS:

Essa classe é formada por pessoas com habilidades em todos os tipos de artesanatos. Alguns trabalhavam em aldeias e produziam artefatos para o comércio local. Já os mais habilidosos, eram convocados a trabalhar para o Faraó ou para a classe da nobreza.

OS CAMPONESES:

Essa classe era formada pela maior parte dos antigos egípcios. Eram pessoas que trabalhavam nas lavouras afim de gerar todo o sustento necessário. Uma parte do que era recolhido ficava para eles, sendo que a grande maioria arrecadada permanecia com os donos das terras. (Nobres ou Faraó).

OS ESCRAVOS:

Essa classe leva a divergência de muitos,sendo que alguns defendem que não existiam escravos no antigo Egito. Mas o que se tem de mais concreto é que os escravos eram pessoas capturadas em guerra e serviam como mão de obra. Eram uma minoria já que em toda a história egípcia, poucas foram as guerras se comparadas a outras civilizações.




Gráfico da Pirâmide Social Egípcia
A prática de cobrar uma grande fatia dos camponeses (que eram a grande maioria da civilização) era algo comum. O Vizir era a pessoa responsável por controlar os impostos, sendo dos Escribas a função de calcular a produção e as taxas, comunicando-o, para que o mesmo mantivesse diariamente o Faraó informado.

Os principais produtos taxados eram os gados e os grãos em gerais, que por estarem a amostra dos funcionários do estado se tornavam fáceis de controlar, o que já não ocorria em outras áreas sem tanta visibilidade. Os estrangeiros que eram derrotados em batalhas também pagavam taxas. O imposto servia para enriquecer ainda mais o tesouro real e permitir ao Monarca ter recursos suficientes para criar monumentos, aumentar Templos ou fazer novos em homenagem aos Deuses.

A Lei egípcia também é algo bem marcante na sociedade. No antigo Egito, Maat é a Deusa da verdade, da ordem e da justiça. O sistema de leis é feito para todos e se mostra muito justo. Apenas os escravos não eram bem vindos nos tribunais. Ricos, pobres e mulheres tem direitos iguais perante aos juízes. Suborno era uma prática comum, ma totalmente condenada pelo tribunal.

“Se um egípcio não pode provar seu argumento no tribunal, poderá apelar para um Deus local, quando sua estátua estiver desfilando pela cidade (em anos anteriores ela ficava no tribunal). Você poderia gritar seu problema para ele “Senhor, quem roubou meu boi?” ou “Quem mudou as pedras demarcatórias?”, por exemplo. A estátua poderá inclinar a cabeça em frente a porta do ladrão.” (MORLEY; DAVID, 1999, p. 33)

O Faraó também tinha a responsabilidade de ser um bom governante, sob pena de não ganhar a vida eterna. Nem ele era poupado da justiça (nesse caso uma justiça divina) perante a sociedade. Entenda o processo que o Faraó passava após a sua morte no tribunal de Osíris, clicando aqui.


Autor: Lucas Ferreira


Fontes / Referências:

- BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2004.

- HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.

- MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.

- MILLARD, Anne. The Egyptians (Peoples of the past). London: MacDonald & Company, 1975.

- MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?. London: Orchard/Watts Group, 1999.

- SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

Sites / Referências:

- http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

- http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

- http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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