quinta-feira, 9 de julho de 2015

O Cairo Islâmico e Fatimita


O Texto a seguir pertence ao site: desportoviajar.wordpress.com disponibilizei em meu blog, com os devidos créditos ao autor, apenas como fonte de pesquisa e uma ilustração do Egito e sua Atual Cultura E Sociedade em contraste com os tempos antigos.

A foto acima mostra a Praça Midan Hussein | D.R.

Depois de ter visto o planalto de Gizé, nomeadamente as pirâmides e a esfinge, e de ter descansado a tarde toda, a mini-van do operador turístico apanhou-nos pontualmente no hotel para irmos jantar fora, num restaurante tipicamente cairota, e, por fim, conhecer o tão famosoMercado de Khan al-Khalili, ou seja, o tão falado Cairo islâmico.

Rumámos primeiro ao chamado Cemitério do Norte, situado nos arredores da cidade, com vista para a Cidadela, que iria ver no dia seguinte. Enquanto íamos circulando no chamado espaço fúnebre, dentro da mini-van (não saímos porque a zona não é segura, muito menos de noite), o guia turístico explicou-nos que ali os mortos convivem com os vivos. No local, vastos e sumptuosos complexos fúnebres foram sendo construídos e dominam toda a área. No entanto, existem outros túmulos mais modestos que são, actualmente, residências familiares. É um pouco chocante, mas os egípcios sempre viram a morte como uma parte significativa da vida, mesmo depois de terem abandonado as crenças faraónicas e tendo-se tornado primeiros coptas e posteriormente islâmicos. Por ali, é pois comum ver-se uma mistura de jazigos e casas, além de jazigos que são também casas e onde os vivos e os mortos coexistem lado a lado.


Cemitério do Norte, onde os vivos e os mortos coexistem | D.R.

Rumámos depois a uma das entradas da muralha do Norte e penetrámos no chamado Cairo Fatimita, por onde circulámos a pé para chegar a Khan al-Khalili. Esta zona da cidade foi fundada em 969 d.C pela dinastia Fatimita e vale a pena a visita nem que seja para ver o quarteirãozinho que é hoje um museu vivo da arquitectura medieval. Pouco resta das mesquitas e palácios daquela época o que é uma pena. Acabámos por percorrer a pé a Sharia al-Muizz li-Din Allah, outrora uma das principais vias da cidade e que é hoje ocupada por vendedores de alho e cebola e por caldeireiros.


Entrada na muralha Norte


Lojas em Sharia al-Muizz li-Din Allah


Sharia al-Muizz li-Din Allah

Enquanto por ali deambulávamos, ainda vimos de relance a Mesquita al-Aqmar (“Iluminada pela rua”) que se destacava das outras pelo brilho das pedras usadas na sua construção. Mas o brilho deixou de ser o que era graças à imensa poluição da cidade. Foi construída em 1125 por um dos últimos califas fatimitas e é a mais antiga em pedra no Egito. Destaca-se a concha esculpida em pedra, um dos primeiros exemplos de decoração usadas posteriormente nas fachadas das outras mesquitas.

Mesquita de al-Aqmar

Acabámos, por fim, por chegar ao coração comercial do Cairo islâmico, obazar medieval de Khan al-Khalili. É um dos maiores mercados do Médio Oriente e é o típico bazar oriental das histórias, onde objectos de ouro, prata, bronze e cobre brilham no interior de um espaço parecido com uma caverna onde os sacos abarrotam com especiarias e enchem o ar com aromas exóticos. Trata-se de um labirinto de ruas estreitas cobertas onde as lojas se acotovelam e onde se vende praticamente de tudo. Apesar de ser uma grande atracção turística, o mercado não deteve nada da minha atenção porque não estava interessado em perder muito tempo em regatear preços de produtos nos poucos minutos que tinha livres.


Khan al-Khalili I

Khan al-Khalili II

Khan al-Khalili III

Khan al-Khalili IV

Khan al-Khalili V

Khan al-Khalili VI

Assim sendo, depois de ver que estava na praça Midan Hussein, olhei para o lado e constatei que estava perante a Mesquita de Sayyidna al-Hussein, considerada o lugar mais sagrado do Cairo e vedada a não-muçulmanos. Não esperava entrar no interior por esse motivo, mas um senhor convidou-me a entrar e eu assim o fiz. Descalcei-me e lá fui eu. Deve-me ter achado com cara de árabe ou algo assim. Erguida em 1870, a mesquita guarda supostamente uma das relíquias mais sagradas do Islão, a cabeça de al-Hussein, neto do profeta Maomé. Como estava mais interessado em deambular pelo local e fotografá-lo, nem parei muito para reflectir na importância que a mesquita deveria ter para os locais. Apanharam-me a fotografar o interior e “gentilmente” convidaram-me até à porta da saída. Felizmente, já tinha visto quase tudo o que queria. Talvez tenha demonstrado alguma insensibilidade e ser considerado herege, mas não me importei muito. Afinal, vi o que poucos turistas conseguiam ver no Cairo.


Mesquita de Sayyidna al-Hussein I

Mesquita de Sayyidna al-Hussein II

Mesquita de Sayyidna al-Hussein III

Mesquita de Sayyidna al-Hussein IV

Do outro lado da praça, estavam as mesquitas de al-Azhar, a de Abu Dahab e o Complexo de al-Ghouri, que devem ser visitados quando estamos em volta de Khan al-Khalili. Isto claro se houver outro interesse que não sejam as compras. Como uma estrada de grande tráfego separa a praça do lado das mesquitas, a solução é passar por uma passagem subterrânea. Acabei por não ver grande coisa porque o tempo que tinha livre da trela do guia não foi muito e passou a correr.


Mesquita de al-Azhar

Ainda assim, vale a pena dizer que a Mesquita de Al-Azhar é uma das mais antigas da cidade e alberga um centro de estudos islâmicos. Já o complexo ocupa dois edifícios iguais e tem um minarete pintado em xadrez vermelho. Depois da visita, fomos jantar num restaurante local (do qual ainda vou falar mais há frente aqui no blogue) e regressámos ao hotel. No próximo dia estavam programadas duas visitas: o Museu Egípcio, na parte da manhã, e a Cidadela, à tarde. E é disso que falarei nos próximos dois posts. Até lá.

Informações úteis:
Deslocações: a melhor forma de explorar a área fatimita e islâmica é a pé. Comece num ponto de fácil acesso aos taxistas, como a praça Midan Hussei, e ande por ali descontraidamente. Se possível, de dia, o que eu não fiz. Não há metro por ali.
Compras: se é fanático por compras, este é o local certo para estar. Há de tudo, mas mesmo de tudo ali à venda. Eu cá passo.
Monumentos e edifícios histórico-religiosos: nas imediações do mercado há muitas mesquitas para ver. As que aqui citei são apenas algumas. A Mesquita de Sayyidna al-Hussei é interdita a não-muçulmanos. Em todas, a entrada é gratuita. Obrigatório tirar sapatos. Mulheres e homem entram em lados distintos. Sextas à tarde é altura de orações.



Mapa do Cairo Islâmico, com muito mais para ver do que aquilo que está escrito neste post | D.R.

NOTA: A foto que consta no cabeçalho do blogue não é da minha autoria e como tal os direitos são reservados.

FONTE DE PESQUISA: https://desportoviajar.wordpress.com/2013/04/

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